O Blog no Fim do Universo

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Dexter em desenho animado.

Posted by Darshany L. em 02/08/2009

Para os fãs de seriados (ou seja, eu), uma novidade (um pouco velha, confesso): a série Dexter, aquela do serial killer bonzinho, vai virar desenho animado. Mais uma vez, descobri isso pelo twitter, e acabei indo parar no site Poltrona, que conta direitinho sobre a versão animada da série. Os episódios serão disponibilizados com exclusividade na internet, nesse semestre. Seria uma estratégia de marketing para a 4ª temporada de Dexter, que estreia em setembro?

Em tempo: não sou de roer unhas, mas eu não aguento de ansiedade pra chegar logo setembro e assistir a nova temporada. Uma das minhas séries preferidas. No meu outro blog, escrevi uma resenha inocente quando comecei a assistir à primeira temporada. Não vale rir.

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Casaco verde, velho e surrado.

Posted by Darshany L. em 22/05/2009

“Não dá mais pra você usar esse casaco”. Foi o que ouvi há três anos da minha mãe, eterna conhecedora do mundo. Claro que não dava, tudo que mãe diz é verdade (algumas vezes discordo), e também era muito óbvio, uma vez que se via o estado do tecido. Eu precisava deixar de lado, mas era tão difícil. “O meu casaquinho mãe…”, foi o que eu choramingava quando ela ameaçou doá-lo, no fim do ano de 2006.

Briguei tanto, que ele acabou por ficar. Dá sim um sentimento de culpa, sabendo que outra pessoa sem condição nenhuma poderia ter usado para se proteger do frio. O que é até bem hipócrita da minha parte e me faz sentir culpada por outra coisa: o fato de doarmos apenas coisas muito usadas para quem precisa, nunca doamos nada novinho e cheiroso, não é mesmo? Deixando as culpas perseguidoras de lado, o meu casaco ficou comigo para sempre. Mas tive que prometer que eu só ia usá-lo dentro de casa. Acho que minha mãe estava com vergonha e com medo de as pessoas acharem que ela não podia me dar um casaco novo. Bobeira.

Era início de abril, ano 2004, quase meu aniversário. E eu tinha, como presente, direito a comprar sei lá quantos reais em roupas, calçados, etc. O casaco, verde escuro e novíssimo, estava pendurado num cabide metálico, numa loja de departamento que não lembro o nome – provavelmente C&A. Ele estava só me esperando ali, pertinho da vitrine. Assim que eu entrei e o vi, quis comprá-lo. Primeiro, pelo prazer do consumo. E, depois, porque… bem, era mais pelo consumo mesmo. Eu fui achá-lo realmente bonito bem depois, quando cheguei em casa.

Além do verde muito bonito, o casaco tinha umas listras brancas no ombro e o número nove pintado no braço esquerdo. Era moleton mesmo, com capuz e zíper na frente. Para uma adolescente de quase 16 anos querendo imitar Avril Lavigne, ele era ideal. Eu estava doida para usá-lo, e não fazia frio nunca. Decidi usar mesmo assim, no calor. E foi exatamente dessa forma que o casaco começou a fazer parte dos melhores – e piores – momentos da minha vida.

Eu estudava no Cefetes (Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo), colégio freqüentado por todos os tipos de pessoas. Eu me inseri nisso tranqüilamente, usando meu casaco verde diariamente no calor mesmo, sem me importar. Fazia ensino médio, estava indo pro segundo ano, as aulas começariam no fim de abril. E no meio desse tempo, eu comecei o relacionamento com meu primeiro namorado. E lembro até hoje, de quando estávamos sentadinhos no corredor da escola, antes de começar a namorar, e eu com meu casaco. Ele: “Esse é o casaco que você tanto falou que comprou né?”. Eu respondi, toda orgulhosa: “Sim!”. E talvez depois ele tenha me beijado.

Acho que esse foi o primeiro momento feliz que o casaco verde presenciou. Vieram muitos outros depois, alguns tristes. Acho que se ele pudesse falar, teria muitas histórias para contar. Segredos também. Coisas não publicáveis. Ele me acompanhou na maior parte do tempo, durante mais de dois anos. Talvez por isso tenha ficado velho e surrado tão rapidamente.

E é comigo que ele estava quando eu decidi de uma vez que ia fazer Comunicação. Esteve comigo nos dois anos de cursinho pré-vestibular que eu fiz, naquelas salas geladas de um colégio meio azul demais. Já era uma época na qual minha mãe insistia para eu usar um casaco mais novo, mas eu me recusava. Se não fosse o verdinho, não tinha graça. Ás vezes fazia tanto frio na sala, que ele não era suficiente. Mas eu não ligava. Não ligava que todas aquelas meninas na sala tivessem um casaco UOT ou Zoomp – o que não adiantava muito, pois usavam um short tão curto que não há casaco que segure o frio. Eu continuaria com meu casaco verde da C&A numa boa. No fim das contas, eu passei no vestibular e elas não.

No fim de 2006, tive que aposentá-lo. O casaco verde ficou muito tempo guardado na gaveta, dobradinho. Eu não tinha coragem de olhá-lo e não poder carregá-lo na minha mochila. Depois de um tempo, superei e comecei a usá-lo dentro de casa mesmo e para dormir.

Setembro de 2007, faculdade iniciada, alguns casacos novos. Mas o verdinho não estava esquecido. Resolvi criar um blog, e o primeiro nome que veio  à mente para colocar foi casaco verde. Lembrei que em tempos cefetianos, meu amigo Pedro Crivilin me chamava de garota do casaco verde, de tanto que eu o usava. Assim, por meio de um blog, meu casaco verde ficou eternizado.

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